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Método Meir Schneider de Autocura na facilitação de movimentos dos Portadores de Pólio e Pós-Pólio

Beatriz Ambrósio do Nascimento

Artigo para a revista da ABRASPP, 2006

Uma das primeiras pessoas com quem Meir Schneider, Ph.D, criador do método Self-Healing (Autocura),  trabalhou quando ainda residia em Israel e que em boa parte o motivou a tornar-se terapeuta foi Vered Vanouou, uma mulher forte e determinada a vencer as limitações impostas pela pólio contraída aos 3 anos de idade.

 Sua perna esquerda era fraca, capaz de levantar somente alguns milímetros do chão,  o que a forçava a arrastar a perna ao andar. Foi a partir do trabalho com Vered que Meir foi desenvolvendo muitas das técnicas e exercícios que usamos  hoje no trabalho com paralisias e limitações de movimento – a primeira versão dos exercícios na água foi, de fato,  criada no mar, onde Meir e Vered trabalharam com afinco. Além disso, muita ênfase foi dada à soltura de seus quadris, à vizualização do movimento, à insistência em criar e ampliar mínimos movimentos na perna esquerda e à alternância com massagens de soltura, estímulo nervoso e de suporte que ele ia “inventando” para facilitar-lhe os movimentos. Após 2 anos e meio de trabalho intenso, Vered foi capaz de levantar a perna 6 cms do chão e de intergrar normalmente essa conquista na marcha. Vários anos depois conseguia erguer a perna 12 cms do chão! Vered tornou-se a primeira terapeuta e instrutora do método Self-Healing, dando continuidade ao trabalho de Meir quando ele mudou-se para os Estados Unidos.

Talvez para alguns isso possa parecer pouco resultado para tanto esforço. É verdade que é preciso muita paciência e perseverança para recuperar movimentos em áreas muito paralisadas e atrofiadas, como a perna esquerda de Vered. É claro também que áreas menos fortemente acometidas respondem com muito mais facilidade ao tratamento. Mas em todo o caso é importante ressaltar que uma mudança de poucos centímetros pode significar uma diferença enorme no modo da pessoa andar – entre arrastar uma perna “morta” e utiliz­á-la ativamente na marcha – com uma significativa mudança na imagem corporal e, consequentemente, na auto estima.

A questão da autoestima no trabalho com pólio é extremamente importante, visto que, de saída, a pessoa não é, e não se sente doente – o que ela tem é a seqüela de uma doença já inativa – e aprendeu desde cedo a trabalhar duro, aguentar dores e fazer sacrifícios na sua reabilitação para alcançar seus objetivos. Geralmente trata-se de pessoas inteligentes, motivadas e batalhadoras, para as quais a visibilidade da seqüela constitui um fator limitante tanto emocionalmente quanto nas relações interpessoais e no convívio social. Nesses casos, “pequenas” mudanças são, na verdade, grandes marcos na direção de mais independência, “normalidade” de movimentos e auto aceitação.

Cissa, outra cliente nossa há anos, uma empresária muito atraente e bem sucedida, desenvolveu pós-pólio por volta dos 35 anos de idade, o que resultou em grande perda de força e massa muscular no quadríceps e dores fortíssimas no joelho. Tendo tentado “de tudo” sem sucesso, seu ortopedista sugeriu o uso de aparelho ortopédico, o que para ela, era o mesmo que “o fim do mundo”. Foi quando chegou até nós, determinada a evitar o aparelho a qualquer custo. Fez vários intensivos com o próprio Meir, ganhou massa muscular e até hoje leva uma vida bastante ativa usando apenas uma bengala canadense.  Cissa continua trabalhando seu corpo regularmente-nada, anda de bicicleta, recebe sessões de massagens de diversos terapeutas, experimenta outras modalidades de trabalho corporal e, de tempos em tempos, quando o joelho entra em crise, faz um novo intensivo. Quase 15 anos se passaram desde seu primeiro encontro com o Self-Healing!

 Algumas dicas do método:

  1. Trabalhe as áreas adjacentes: Por exemplo, se a sua panturrilha for fraca, antes de mais nada você precisa fazer mais sangue chegar até ela, fazendo muita massagem, inclusive profunda, na coxa, ao redor do joelho, no pé e nos dedos, além de mover essas áreas em movimentos circulares, ativamente sempre que possível, e também passivamente (movendo-as  com suas mãos). Aí, massageie a panturrilha com movimentos circulares e repetidos num mesmo lugar por vários minutos, até sentir um sutil aumento de tonus local. Trabalhe toda a panturrilha dessa forma, alternando com massagens profundas e superficiais, lentas e rápidas.  Repita os movimentos de pés e dedos, visualize o movimento acontecendo, massageie mais uma vez e repita os movimentos.
  2. Solte os quadris: se uma ou ambas das suas pernas tiverem sido afetadas, você necessariamente carrega muita tensão nos quadris. É importante soltá-la através de massagem de vibração, alongamentos e massagem profunda, para liberar a circulação sanguínea para as pernas e facilitar a condução dos impulsos nervosos. A massagem feita em posições alongadas é o meio mais rápido e eficaz de soltar a região lombar e quadris. Seja criativo, use móveis e paredes para alongar-se, e respire lenta e profundamente enquanto alonga.
  3. Mais repetição e menos carga: quando você estiver trabalhando no fortalecimento de um movimento e já puder trabalhar com carga, lembre-se que é muito mais seguro ir aumentando o número de repetições de um movimento e/ou o ângulo, do que o peso. Excesso de esforço pode levar nos casos de pólio e pós-pólio, à degeneração neuromuscular. Paciência e persistência são a alma do negócio.
  4. Em crise de pós-pólio: diminua suas atividades normais o máximo possível até sair da crise; descanse bastante; interrompa os exercícios de fortalecimento e enfatize o trabalho com a respiração e circulação (veja capítulos correspondentes no Manual de Autocura vol 1); faça movimentos lentos, fáceis e suaves que envolvam o corpo todo – para dessobrecarregar a área afetada. Movimentos suaves na água são também essenciais nessa fase. Receba muita massagem de Self-Healing.