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MÉTODO SELF-HEALING DE MEIR SCHNEIDER: O paciente como o principal agente de sua saúde

WILSON CEZAR GARVES em entrevista para Revista Reação (Outubro de 2002)

Numa combinação de movimentos conscientes, visualização, alongamento, respiração e massagem o método Self-Healing tem se mostrado eficaz na recuperação e reversão de um bom número de patologias, como a esclerose múltipla, problemas de coluna, atrofias e distrofias musculares, osteoporose, artrite e artrose, entre outras. Também se mostra eficiente em vários problemas visuais, como miopia, hipermetropia, catarata, glaucoma, etc.

Criado na década de 70 por Meir Schneider, PhD., após curar-se de sua própria cegueira e aplicar os princípios que foi descobrindo em pessoas portadores de deficiências físicas e visuais, o Self-Healing foi estruturado com a premissa que todos temos uma capacidade inata para a autocura.

Self-Healing, ou Autocura, trata-se na verdade de um processo de auto-tratamento, com o propósito de desenvolver a consciência corporal a fim de transformar tensão em relaxamento, melhora das funções corporais e do bem-estar geral. O “mal uso do corpo” é considerado o grande vilão dos desajustes corporais e dos problemas de saúde, sejam eles de caráter congênito ou adquirido. O equilíbrio corporal se dá através da melhoria dos movimentos, sem sobrecarregar umas partes e sub-utilizar outras. Desta forma o terapeuta de Self-Healing ajuda seus pacientes no emprego das massagens e no ensino de exercícios que lhe traga consciência e responsabilidade para a sua própria saúde.

Os exercícios e as técnicas são baseados no funcionamento biológico do organismo e nos recursos potenciais que ele oferece. Abaixo ilustramos um pouco destes princípios com alguns exercícios.

 Respiração: Os pulmões podem armazenar cerca de 4 litros de ar. Mas devido à correria diária, utilizamos uma respiração curta e rápida que não absorve mais do que meio litro. A quantidade é suficiente para sobreviver, mas para melhorar a saúde e reverter processos degenerativos a forma como respiramos precisa ser bem mais saudável: mais lenta, profunda e consciente. A respiração é a mais vital das funções de qualquer ser vivo, portanto a insuficiência de oxigênio enfraquece o corpo e diminue o ritmo de todas as outras funções, inclusive as cerebrais, que comanda todo o resto do corpo.

 Exercício 1: Inspire calmamente e em intervalos, contando de um até cinco. Na hora de expirar, use o mesmo princípio, mas com um intervalo um pouco mais longo: de um até sete. Aos poucos e à medida que a sua respiração estiver mais controlada, vá aumentando esses intervalos. Com a prática, o exercício fica cada vez mais natural e a sua respiração, profunda.

 Visualização: A visualização é uma forma de obter a colaboração do cérebro na produção dos resultados almejados. O exercício acompanhado de visualização é indicado para ampliar a consciência corporal e modificar os padrões de rigidez que normalmente acompanham os nossos movimentos.

 Exercício 2: Deitado de lado sobre um colchonete, com os braços esticados e as pernas dobradas, c role no chão de um lado para o outro. Faça o movimento lentamente, observando as partes do corpo que, uma a uma, entram em movimento. Ao longo do exercício, imagine que as pontas dos dedos da mão puxam os braços e que as pernas estão sendo levadas pelos joelhos. Pense também no sangue fluindo livremente pelo corpo, nas tensões musculares sendo aliviadas e no ar expandindo-se no pulmão.

Exercícios para os olhos: Eles ajudaram na recuperação da visão de Meir Schneider, estando na origem do método Self-Healing, e foram propostos por William Bates, oftalmologista polêmico do início do século passado. Os exercícios, no entanto, não são indicados somente para quem tem problemas visuais. Pessoas que usam muito o computador, por exemplo, deveriam praticar alguns dos exercícios básicos de autocura para  evitar o enfraquecimento da visão.

Exercício 3: Sentado e com os cotovelos apoiados numa mesa, cubra os olhos com as palmas das mãos em concha, sem pressionar a face (as mãos não tocam os olhos, só os encobrem). Evite a entrada de luz e imagine uma imensidão negra. Quanto mais conseguir mentalizar a cor escura, mais seus olhos ficarão relaxados. Depois de alguns minutos, descubra os olhos e procure olhar para detalhes distantes e depois para pontos mais próximos a você.

Movimentos: Temos quase 700 músculos no corpo, mas não usamos nem um terço deles. Resultado: esses poucos em uso ficam sobrecarregados, tornando-se contraídos e cansados, enquanto o restante enfraquece e atrofia. No Self-Healing essa musculatura esquecida é estimulada e a tensa relaxada, tornando assim os movimentos mais equilibrados, leves e saudáveis.

Exercício 4: Experimente andar ou correr para trás. O hábito de caminhar sempre para frente nos faz supervalorizar a parte frontal do nosso corpo. Esse exercício ajuda a estimular a parte posterior, da qual só lembramos quando sentimos dores. O exercício também ajuda a relaxar os músculos das costas, o que facilita até a respiração. O objetivo desta e de outras técnicas é quebrar os padrões psíquicos e corporais, aperfeiçoando alguns movimentos e dando vida a outros.

Massagem: É uma prática essencial para restabelecer a condição natural e saudável do corpo. Uma grande variedade de técnicas são utilizadas com fins específicos como o de melhorar a respiração, circulação, digestão, coluna vertebral, articulações, músculos, sistema nervoso ou visual. Também é fundamental para quebrar o estado de estresse crônico que acomete a maioria das pessoas, responsável pelas tensões e dores musculares, dores de cabeça, pupilas dilatadas e o coração acelerado.

Exercício 5: As costas são as regiões mais atingidas pelo estresse. E, diferentemente do que você imagina, não precisam da ajuda de ninguém para massageá-lo diariamente. Fique em pé, de costas para uma parede, com os pés cerca de trinta centímetros à sua frente e separados na largura dos quadris. Agora coloque duas bolinhas de tênis entre as costas e a parede: uma de cada lado da coluna, nos músculos paravertebrais paralelos às vértebras; pressione as costas contra a parede e comece a dobrar e esticar os joelhos devagar, deixando assim que as bolinhas de tênis massageiem suas costas desde os ombros até os quadris.

 


Bibliografia:

Schneider, Meir. Manual de Autocura. São Paulo: Editora Triom. 1998 (volumes I e II)

Movimento para a Autocura. São Paulo: Editora Cultrix. 1987.

 


WILSON CEZAR GARVES

Terapeuta Ocupacional pela Universidade  Federal de São Carlos (UFSCar). Massage Practitioner e Self-Healing Practitioner/Educator Training, pela School for Self-Healing (São Francisco – EUA). Especialista em Cinesiologia Psicológica – Integração Físio-Psíquica, pelo Instituto Sedes Sapientiae de São Paulo. Vice-presidente da Associação Brasileira de Self-Healing.

 


¹ Artigo publicado originalmente no Caderno Técnico e Científico da Revista Nacional de Reabilitação N.17 Nov/Dez., 2002.