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Relato de atendimento com uma jovem portadora de estrabismo.

Ana Paula Figueiredo

Terapeuta Ocupacional

Instrutora pela School the Self -Healing


B. é uma garota de 12 anos, cheia de vitalidade. Desde pequena apresenta estrabismo divergente em ambos os olhos, com maior desvio no olho esquerdo, para fora (exoforia), desviando 25 graus.
Aos 2 anos de idade levou dois tombos fortes, batendo sua cabeça. Depois disso apresentou piora no estrabismo e gagueira. Não gagueja mais, porém o estrabismo piorou após os 5 anos. Fez uso de tampão dos 2 aos 7 anos.
No final do ano passado o grau de desvio dos olhos piorou e sua mãe a levou a uma especialista em estrabismo para uma avaliação. Ela disse que a conduta seria cirúrgica, pois o desvio havia chegado ao limite, sendo necessária a correção do mesmo. Quando a médica explicou o procedimento e o tempo pelo qual ela teria que interromper a atividade física (3 meses), B. chorou e ficou triste. Adora o tênis e a natação.
Iniciamos o tratamento onde foram ensinados vários exercícios visuais, dos mais básicos, como: Sunning, Palming, Piscamento,Visão periférica. Mais específico para o estrabismo, criamos um tampão para centralizar os dois olhos, exercícios de fusão, exercícios musculares para os olhos, tudo isso adaptado à sua rotina diária, por exemplo: tocava violão e usava o tampão, combinando uma atividade de relaxamento com oclusão de no máximo 10 minutos.
Meus objetivos eram estimular o olho mais fraco, promover a integração entre os dois olhos, relaxar e fortalecer os músculos visuais mais comprometidos no estrabismo e desenvolver um novo padrão visual. Para isso também utilizamos o andar de costas e a cama elástica.
No primeiro atendimento, massageei o corpo e o rosto, relaxando principalmente a área do pescoço, que estava muito tensa. Após a sessão ela relatou que sentiu um pouco de incômodo no olho esquerdo, o qual se esforçou mais nos exercícios, “Dá uma coisa estranha” (sic). Sabemos que o exercício com a musculatura dos olhos é intenso e pode trazer fadiga. Por isso ensinei uma auto massagem ao redor dos olhos antes e depois de fazer os exercícios. Combinamos um programa diário de 40 minutos.
B. se mostrou muito empenhada e realizou o seu auto cuidado com dedicação, demonstrando um nível elevado de comprometimento e responsabilidade para uma jovem desta idade. Quando estimulamos e tocamos o nosso corpo com sabedoria podemos acessar sua inteligência , trazendo equilíbrio e melhora – foi o que sucedeu com B.
Após 3 semanas de trabalho, B. teve uma crise de rinite alérgica, que afetou os olhos e ela e a mãe retornaram antes do previsto ao oftalmologista, que a reavaliou e constatou que o desvio nos olhos havia diminuído em 5 graus e a medida da visão havia melhorado:
Primeira consulta Segunda consulta
Para perto 20 por 25 20 por 20
Para longe 20 por 30 20 por 25
(Tabela 1: Medidas de acuidade visual de B)
Todos ficaram muito surpresos, a médica não entendia o que havia acontecido. A mãe de B. contou que durante esse período ela havia iniciado os exercícios visuais baseados no Método de Meir Schneider, e os estava fazendo com regularidade. A médica ficou desconcertada e não sabia o que dizer. Atrapalhou-se deixando coisas caírem da mesa e falou que não podíamos dar crédito aos exercícios, pois eles não eram científicos; além disso, disse que com o tempo eles não seriam mais eficazes e que B. teria muita dor de cabeça. Começou a explicar como seria o procedimento cirúrgico, que segundo ela era necessário. Ela não aceitou que os exercícios pudessem causar tamanha mudança, esquecendo-se da atitude básica de um cientista: a observação. O que realmente havia ocorrido neste caso, e por que houve redução do desvio? Por que a acuidade visual melhorou?
A mãe disse a ela que diante do que aconteceu iria continuar com o tratamento self-healing e que sempre tratou as filhas com métodos complementares à medicina tradicional, como a homeopatia, e acreditava nos resultados. Ao saírem de lá, B. e a mãe optaram por não fazer a cirurgia.
Acredito que o mais importante desse relato é que B. se mostrou muito competente no seu processo com o auto-cuidado e conquistou um ganho real na sua visão, tendo acesso a ferramentas para cuidar de si mesma e estimular a inteligência inata do corpo. O crédito é todo dela. Quando B. me relatou o acontecido fiquei perplexa com a reação da médica, e nós duas comemoramos os resultados obtidos.
Espero num futuro próximo ver esse trabalho ser reconhecido “cientificamente”, de forma que profissionais da área médica irão recomendá-lo, ao invés de se assustar com os resultados.
Duas reportagens recentes na Folha de São Paulo indicam que a ciência está se aproximando de conclusões próximas àquelas do método self-healing de Meir Schneider.
A neurocientista Suzana Herculano-Houzel citou que o piscar descansa o cérebro, dá uma pausa em suas atividades. Isso indica que, além da função de lubrificar os olhos, o piscamento tem uma função cognitiva de mudança de atenção. Na minha opinião, essa mudança de atenção é necessária para o relaxamento do cérebro e até facilita para uma concentração maior nas atividades. No trabalho com B., ressaltei a importância do piscar frequente nas suas atividades cotidianas, como na leitura ou no uso do computador. (Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/suzanaherculanohouzel/2014/02/1407089-piscar-descansa-o-cerebro.shtml)
Em um estudo apresentado na AAAS (Associação Americana para o Avanço da Ciência) que propõe o uso de games para tratar a ampliopia (olho preguiçoso).
A neurocientista Daphne Bavalier, das universidades de Rochester (EUA) e Genebra (Suiça), em conjunto com Dennis Levi (Berkeley) e David Knill (Rochester), afirma que não é o olho que melhora, e sim o cérebro, assim como diz o método Bates. A partir disso ela propõe o uso de games para tratar a ampliopia. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/152732-pedagogia-dos-games.shtml
Em outro estudo que Levi conduziu com 20 jovens, a conclusão foi que 2 horas diárias de exercícios com games acarretavam ganhos de 16% a 54% em diferentes parâmetros de acuidade visual. Os resultados vieram cinco vezes mais depressa que os obtidos com o tratamento tradicional (tampar o olho bom). Tais resultados “sugerem que podem ser obtidos efeitos permanentes, no caminho oposto da crença de que os circuitos cerebrais amadurecem cedo e que, portanto, seria muito difícil religá-los” Sabemos pela nossa prática no self-healing que isso realmente é possível, e Meir sempre defendeu essa ideia. É um dos resultados científicos recentes que comprovam a eficácia de nosso tratamento, inclusive no caso de B.