Artigos e Publicações

Método Self-Healing: " Exercício de Andar de Costas: uma prática do Método Self-Healing de Meir Schneider sob a ótica da biomecânica e da neurociência, Wilson Garves, USP

Universidade de São Paulo
Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas
Curso: Especialização em Fisiologia, Biomecânica, Traumatologia e
Reabilitação do Exercício e do Esporte.
Exercício de Andar de Costas: uma prática do Método Self-Healing de
Meir Schneider sob a ótica da biomecânica e da neurociência.
Wilson Cezar Garves
São Paulo
2006

AGRADECIMENTOS
À Professora Doutora Elisa Eiko Kajihara, pelo envolvimento dedicado a este
trabalho, com a sua orientação informal.
À Dra. Lea Beatriz Teixeira Soares e Dra. Jussara Mesquita Pinto, professoras do
curso de terapia ocupacional e coordenadoras do Núcleo de Self-Healing do
Departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de São Carlos
(DTO/UFSCar); e à Beatriz Ambrosio do Nascimento, instrutora da School for Self-
Healing, pelo apoio amigo de sempre e por terem me introduzido e ensinado o
Método Self-Healing de Meir Schneider.
Ao Meir Schneider, Ph.D., pelas aulas de Self-Healing e pela entrevista que
contribuiu com este trabalho.
Aos professores que ministraram às aulas do curso de Especialização em
Fisiologia, Biomecânica, Traumatologia e Reabilitação do Exercício e do Esporte,
pela contribuição ao conhecimento adquirido.

RESUMO
Este trabalho apresenta o exercício de andar de costas (EAC) na ótica do
método Self-Healing de Meir Schneider, da neurociência e da biomecânica. O
autor foi motivado a escrever sobre este tema após constatar excelentes
resultados com este exercício em sua experiência clínica. Alguns dos benefícios
do EAC localizados foram: possibilidade de corrigir o que está ruim na marcha
para frente; economia de energia ao deambular após as correções da marcha
distorcida; equilíbrio entre as musculaturas agonistas e antagonistas dos membros
inferiores; ampliação da consciência cinestésica; relaxamento da musculatura
posterior das costas e redução da espasticidade. Neste estudo a neurociência
contribuiu para compreender como as áreas superiores do cérebro, dos núcleos
da base, cerebelo e também dos reflexos, localizados na medula espinhal,
exercem influencia sobre o EAC, favorecendo o andar para frente, após darmos
alguns passos para trás. A biomecânica permitiu fazer o estudo comparativo entre
andar para frente e andar para trás. Os músculos utilizados para a marcha
reversiva são praticamente os mesmos utilizados quando nos movemos para
frente (com exceção de algumas substituições), entretanto a mudança de
comprimento do músculo quase sempre é alterada, de excêntrica para
concêntrica, ou vice-versa. Ou seja, os músculos são os mesmos, mas a ação
deles é que se modifica, ora fortalece uma ora outra. O EAC muda o padrão
cerebral do deambular. Com a mudança, o cérebro passa a usar o que foi
mudança provocada na elaboração de uma nova forma de se locomover. Ou seja,
o cérebro lança mão de um novo padrão de deambulação, para a elaboração de
uma nova forma de se locomover.

Índice
Apresentação…………………………………………………………………………………………..02
1. Introdução ………… ……………………………………………………………………………. 05
1.1. Objetivo ………………………………………………………………………………………….. 06
1.2. Justificativa ………………………………………………………………………………………. 07
1.3. Metodologia …………………………………………………………………………………….. 07
2. Fundamentação teórica ………………………………………………………………………… 09
2.1. Método Self-Healing de Meir Schneider ………………………………………………. 09
2.1.1- O Exercício de andar de costas segundo o Método Self-Healing…………….11
2.1.2- Contra indicações do exercício andar de costas …………………………………. 17
2.2- Sobre o sistema motor …………………………………………………………………………17
2.2.1- Regiões neurais relacionadas com o andar para frente e com o EAC………19
2.2.1.1- Principio da inervação recíproca……………………………………………………….20
2.2.1.2 – Centros geradores de padrão………………………………………………………….21
2.2.1.3 – Modulação e organização das ações motoras que podem influenciar
o andar para frente e o EAC……………………….. …………………………………23
2.2.1.4 – O Papel dos núcleos das bases no EAC…………………………………………..25
2.2.1.5 – O Papel do cerebelo no EAC…………………………………………………………..26
2.3 – A Biomecânica da marcha……………………………………………………………………28
2.3.1- Fases de uma marcha normal…………………………………………………………….29
2.3.1.1- Fase de apoio………………………………………………………………………………..30
2.3.1.2 – Fase de oscilação………………………………………………………………………….30
2.3.1.3 – Ocorrências que irão determinar o resultado de uma boa marcha……….31
2.3.2 – Ações musculares durante a marcha…………………………………………………..31
2.3.3 – Estudo comparativo da musculatura utilizada na marcha para frente e no
andar de costas…………………………………………… ……………………………….32
2.3.3.1 – Absorção de choque………………………………………………………………………33
2.3.3.2 – Equilíbrio do Tronco……………………………………………………………………….35
2.3.3.3 – Desprendimento…………………………………………………………………………….37
2.3.3.4 – Fase de aceleração………………………………………………………………………..39
2.3.3.5 – Dorsiflexão do pé…………………………………………………………………………..40
2.3.3.6 – Fase de desaceleração…………………………………………………………………..41
3 – Discussão……………………………………………………………………………………………..43
4 – Conclusões……………………………………………………………………………………………49
5 – Bibliografia…………………………………………………………………………………………….51
6 – Anexos………………………………………………………………………………………………….54

1. INTRODUÇÃO
A proposta deste trabalho é fazer um estudo do “Exercício de Andar de
Costas” (EAC), que é um dentre os exercícios que utilizamos em nossa prática
clínica, e faz parte de um programa maior de intervenção, o Método Self-Healing
de Meir Schneider. O método Self-Healing busca proporcionar, entre outras
coisas, melhor qualidade de vida às pessoas com algum tipo de comprometimento
motor, neurológico, visual, e melhorar o desempenho de atletas ou prevenir
doenças.
Enquanto terapeuta ocupacional e com especialização no método Self-
Healing, utilizamos o EAC, em boa parte dos atendimentos realizados em
consultório. Atendemos uma clientela bastante diversificada e, além dos
procedimentos de intervenção manual aplicados nos clientes, ensinamos alguns
exercícios motores, praticados na sessão ou estimulados para serem feitos em
casa. Dentre estes exercícios, o EAC nos chamou a atenção, pelos excelentes
resultados apresentados junto a nossa clientela. Constatamos uma melhora na
deambulação, no relaxamento muscular e no desempenho motor destes
pacientes. Dentre os clientes que se beneficiaram destes exercícios temos: os
portadores de Esclerose Múltipla, de Distrofia Muscular Progressiva, de Amiotrofia

Espinhal Progressiva, de Hérnia de Disco lombar e cervical, de Lombalgia e os
casos de dores na musculatura posterior do tronco.
De uma maneira geral, os movimentos propostos por Schneider, neste
exercício e em alguns outros, têm o intuito de modificar padrões neurológicos e
corporais. Fazem com que o praticante desenvolva uma melhor percepção dos
seus movimentos e promovem a aquisição do que é denominado como
consciência cinestésica. Com este ganho, ele próprio, o cliente do Método Self-
Healing, torna-se o agente principal de seu processo de melhoria e tratamento.
Mais adiante, destacaremos como isto acontece especificamente quando se
pratica o EAC.
1.1 – OBJETIVO E OBJETO DE ESTUDO
Nosso objeto de estudo é o EAC, à luz do Método Self-Healing de Meir
Schneider, da biomecânica e da neurofisiologia.
O objetivo deste trabalho é entender, a partir de parâmetros científicos, os
resultados favoráveis apresentados pelos clientes que praticam o EAC,
observados em nossa experiência clínica.

1.2 – JUSTIFICATIVA
Além do trabalho de Schneider, não localizamos artigos científicos ou
pesquisas específicas que comprovem ou relatem a prática de andar de costas
como exercício terapêutico. Assim, julgamos importante analisar o EAC porque é
um assunto pouco explorado, pouco conhecido, pouco investigado, ao mesmo
tempo em que é um recurso terapêutico valioso pelos seus resultados.
Entendemos ser importante desenvolver esse estudo que poderá beneficiar
também o meio acadêmico científico.
1.3 – METODOLOGIA
Após uma revisão dos conceitos propostos pelo Método Self-Healing de
Meir Schneider quanto aos benefícios de EAC faremos um estudo à luz da
neurofisiologia e biomecânica que explicam e tornam mais claros os benefícios da
prática deste exercício. Para isso, buscamos nos livros textos de neurologia e
biomecânica as informações necessárias, uma vez que não localizamos artigos
científicos que tratassem deste assunto. Também fizemos uso de uma entrevista
realizada com Meir Schneider, o criador do método em estudo e que está nos
anexos deste trabalho.

O estudo da neurofisiologia é apresentado, num primeiro momento, com o
intuito de esclarecer os mecanismos de elaboração dos ajustes neurais que irá
desencadear o movimento a partir das áreas superiores do cérebro, dos núcleos
da base, cerebelo e também dos movimentos mais simples dos reflexos,
localizados na medula espinhal. Com este levantamento esclarecemos como o
EAC atua e repercute no aparato motor e esclarece algumas perguntas como, por
que há facilidade em andar para frente após darmos alguns passos para trás?
Para entender quais músculos são utilizados ao caminhar para trás,
faremos uma comparação biomecânica da marcha para frente com a marcha
reversiva. Desta forma, observaremos as ações agonistas e antagonistas destes
músculos.
Para concluir, na discussão apontaremos quais os benefícios de se andar
para trás.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Para melhor situar e compreender a prática de “andar de costas”, dentro do
Método Self Healing, de Schneider, faremos um breve estudo acerca do método.
2.1 – MÉTODO SELF-HEALING DE MEIR SCHNEIDER
É um método terapêutico natural, que promove a manutenção e a
recuperação da saúde. Utiliza-se do movimento corporal para atingir os resultados
almejados, pois segundo Schneider, a manutenção da saúde depende da
capacidade de movimentar-se de forma adequada e original. Esta capacidade
pode ter sido diminuída por uma doença ou pela aquisição de padrões restritos de
movimento gerados pelo estresse ou sedentarismo.
O terapeuta de Self-healing é também um educador que orienta as pessoas
no processo de reaprendizado do movimento. Utiliza-se de exercícios
respiratórios, alongamento muscular, relaxamento e quebra de padrões de
movimento, entre outros. Também atua na melhora da percepção do corpo e, se
utiliza da visualização, que lhe permita superar as dificuldades pelas quais está
passando. Parte do principio de que com o desenvolvimento da consciência
corporal pode-se reverter tensão em relaxamento, melhorar as funções corporais e
o bem-estar geral.

Os exercícios e as técnicas utilizadas por este método são baseados no
funcionamento biológico do organismo e nos recursos potenciais que ele oferece.
O terapeuta utiliza-se de movimentos passivos, ativos e de diferentes tipos de
manipulações denominadas de massagens regenerativas dos tecidos e que têm o
intuito de: quebrar resistências, aliviar as tensões, regenerar, tonificar, fortalecer
os músculos e os demais tecidos do corpo, entre outros. Entre os exercícios
utilizados, está incluso o exercício de andar de costas, que será visto em detalhes
mais abaixo.
Desta forma, pode-se constatar a superação e minimização de dores
musculares e, pessoas com restrição de movimentos vão readquirindo cada vez
maior naturalidade e força, de modo que as habilidades necessárias para a vida
cotidiana são as metas do terapeuta e do cliente. Podem se beneficiar deste
recurso pessoas de qualquer idade, inclusive para tratamento e melhoria da visão.
O método foi originalmente desenvolvido em Israel e nos EUA e é, até então,
pouco difundido na área terapêutica e de reabilitação. Foi introduzido no Brasil no
ano de 1989 pela profa. Beatriz Ambrósio do Nascimento na Universidade Federal
de São Carlos, após ter sido ela mesma beneficiada com a recuperação de
movimentos em decorrência de sua Distrofia Muscular Progressiva. Criou-se um
Núcleo de Pesquisa em Self-Healing no Departamento de Fisioterapia e Terapia
Ocupacional desta universidade. Os trabalhos do núcleo renderam duas teses de
doutorado baseados nos resultados, a saber:

PINTO, J. M. (1998). – Aprender uma nova forma de viver o corpo: o
desenvolvimento da consciência corporal e o ensino no método Self-Healing. São
Carlos: UFSCar. (Tese de doutorado)
SOARES, L.B.T. (1999). – Eficácia do Método Meir Schneider de autocuidado em
pessoas com distrofias musculares progressivas: ensaio clínico fase II. Campinas:
UNICAMP (Tese de doutorado)
2.1.1 – O EXERCÍCIO DE ANDAR DE COSTAS SEGUNDO O
MÉTODO SELF-HEALING DE MEIR SCHNEIDER
O andar de costas é utilizado no Método Self-Healing com o intuito de
acionar recursos e potenciais do próprio organismo e faz parte da série de
exercícios que podem ser denominados de exercícios de quebra de padrão de
movimento. São vistos dentro de um ponto de vista neurofisiológico (recrutamento
de outros caminhos neurais) e corporal (anatômico e biomecânico). Esta atividade
pode dar condições para um indivíduo com dificuldades de deambulação superar
ou minimizar suas limitações motoras. Também auxilia no aumento da percepção
corporal e na relação visão e ato motor.
Segundo Schneider, devemos nos movimentar de forma que as funções
corporais se tornem mais eficientes, isto é, movimentar o corpo deve melhorar o
desempenho dos tecidos e órgãos. O movimento externo irá facilitar todos os

movimentos internos essenciais. Inicialmente deve-se focar a consciência do
corpo e a consciência cinestésica (corpo em movimento) para em seguida
modificar os registros cerebrais dos padrões de movimento que supostamente
possam estar acarretando algum tipo de prejuízo. Muitos mantêm o seu corpo
desfamiliarizado e ausente (Schneider 2005), ou seja, poucos são, segundo
Schneider, os que dão atenção ao seu corpo, tanto em movimento, como na
posição estática. Somente passam a olhar para ele após sentir algum tipo de dor
ou desconforto. Desenvolver a consciência irá permitir (re)fazer a conexão entre
mente (auto-conceito) e corpo.
Quanto mais atenção e consciência você dedicar aos pés e pernas, e quanto
menos usar sua região lombar e quadris, mais eficiente será o seu modo de
andar. (Schneider: 1998; pg. 107)
O ato de andar é apreendido, modificado, reorganizado e mecanizado ao
longo de uma vida. Desta forma o aparato neuro-motor se adapta com as novas
formas de se mover e as torna quase sempre inconscientes.
Tornar o movimento consciente é, portanto, o princípio de mudanças ou
também uma forma de ruptura de padrão de movimento programado no cérebro.
Por exemplo, reconhecer que estamos utilizando e contraindo com excesso de
força a musculatura das costas e do quadril para andar pode ajudar na percepção
que esta contração pode contribuir para deixar os músculos dos membros
inferiores (MMII) mais fracos. O contrário também é possível. É fácil perceber em

indivíduos com patologias neuromusculares, fraqueza nos músculos de função
fásica* dos MMII. Em contrapartida, encontram-se encurtamentos nos músculos
de função tônica* das costas e ombros.
Schneider ressalta que a pelve pode-se manter tensa em decorrência da
rigidez nos movimentos de deambulação. O ideal seria que o impacto da marcha
fosse inicialmente assumido pelo pé, depois pelo tornozelo, depois pelo joelho e
por último, pelo quadril. Isso somente é possível se houver flexibilidade nas
articulações dos membros inferiores, se os pés e joelhos estiverem fortes e
relaxados.
Um tempo maior de enrijecimento do andar pode provocar problemas nas
costas, endurecimento extremo dos tecidos conjuntivos das coxas e a inflamação
do nervo ciático. Com o intuito de reduzir o estresse das articulações, novamente
Schneider aponta a importância do andar consciente (Schneider: 1998). Eis suas
recomendações:
– dobrar os joelhos ao dar o passo;
– ao colocar os pés no chão faze-lo com o mesmo impacto;
– apoiar primeiro o calcanhar, depois os artelhos.
* Segundo Dvorák e Dvorák (1993) músculos de função tônica (musculatura tônica), posteriores, cuja principal característica é
manter a postura ereta, possuem uma porcentagem maior de fibras de contração lenta. Se cansam depois de algumas centenas de
contrações. Sua energia é fornecida predominantemente por mecanismos aeróbicos. Suas principais fontes de energia são o
glicogênio e as gorduras. É baixa a produção de ácido lático. Os músculos de função fásica se compõe principalmente de fibras
que possibilitam contrações muito rápidas. Sua energia provém do ciclo anaeróbio do glicogênio. Há rápido acumulo de ácido lático
e se cansam muito rapidamente.

Para reduzir o impacto nas costas, além de manter a consciência dos
movimentos e do uso do corpo é recomendado realizar movimentos com o intuito
de se atingir dois objetivos:
1. Trabalhar grupos musculares isoladamente;
2. Maximizar o uso dos músculos não habituais, afim de trazer mais
movimentos e equilíbrio entre tensão excessiva e distonia dos músculos.
Estas colocações se referem ao andar para frente. Schneider recomenda o
andar de costas para mudar os padrões motores registrados no alto comando
motor.
“Isolando seus músculos e exercitando-os separadamente, você vai permitir o seu
sistema nervoso trabalhar mais eficazmente..”. (1998, pg. 119)
“Uma maneira excelente de recrutar músculos que nós normalmente não usamos
é andar ou correr de lado ou de costas.” (2005; pg.127).
Ao caminhar para trás cria-se uma base cinestésica mais sólida do que ao
andar para frente, pois, ao retirar o estímulo visual que se tem ao andar para
frente há um aumento da percepção corporal. Desta forma, o sistema motor tornase
mais sensível.

Assim, o exercício de andar de costas é bastante explorado por Schneider
em seus cursos e “workshops” com o objetivo de ensinar seus alunos a andar
corretamente.
… quando levo um grupo de pessoas para um parque ou para a praia, nós
andamos ou corremos para trás. Essa é uma oportunidade para explorar
grupos de músculos, a parte posterior das pernas, o glúteo, as costas, e
chamar a atenção do cérebro para eles. Andamos de costas, paramos,
sentimos as costas, prestamos atenção à postura ficando mais reta, andamos
de costas novamente, observamos que a perna em que apoiamos o peso ao
mudar o passo está dobrada, e depois tentamos andar para a frente. Andar
para a frente parece muito diferente depois disso; o cérebro acha mais fácil
usar completamente as articulações das pernas. A essa altura, é mais
provável que ao andar para a frente você dobre o joelho, em vez de enrijecelo.
(2005, pgs. 195-196)
Além dos apresentados, outros benefícios podem ser notados no exercício
de andar de costas, segundo Schneider. A espasticidade pode ser reduzida e o
relaxamento dos músculos das costas, são exemplos notados pelos terapeutas
deste método.
Ao alongar e esticar o pescoço, ao alongar o tendão de Aquiles, a forma
como se contrai os músculos glúteos e dos joelhos, que ocorre quando andamos
para trás, podemos afirmar que partes do corpo não antes muito usadas passam a

ser agora consideradas e exercitadas durante a marcha. Assim, usar novos e um
maior número de músculos ao andar de costas faz com que o cérebro fique
consciente destes e passe a utilizá-los para o equilíbrio e para o suporte muscular
ao caminhar para frente.
Schneider ressalva que este exercício, o de andar de costas, não foi criado
para um objetivo específico. Diz que é errado olhar, na ótica deste método, para
qualquer exercício com um fim específico, pois, trata-se de exercício de mudança
de padrão cerebral, e irá atuar por um determinado tempo. Como temos o intuito
de modificar os registros que estão automatizados no cérebro, após a prática
sistemática de um movimento, teremos que elaborar um outro exercício, para o
mesmo objetivo inicial, seja conseguir uma redução de espasticidade ou para
conseguir o equilíbrio estático de grupos musculares. Portanto, para cada
exercício proposto por este método, seja marcha ou não, devemos pensar se é o
momento certo, a hora certa e o local certo de praticá-lo. Quem irá ditar isto é a
própria habilidade do terapeuta.
Esta prática também pode ser utilizada em combinação com outros
movimentos para enriquecer algum objetivo que se queira atingir. Por exemplo,
muitas vezes é solicitado aos pacientes com problemas neurológicos caminhar
para trás ao mesmo tempo em que circunda os MMSS (membros superiores)
acima da cabeça, com o intuito de modificar o padrão de enrijecer os ombros ao
andar.

2.1.2 – Contra indicação do exercício de andar de costas
Segundo Schneider (entrevista: 2005), pessoas em processos inflamatórios,
sobretudo nas articulações dos joelhos, onde se dará uma sobrecarga ao andar de
costas, costuma-se não indicar este exercício. Segundo Perry (2005; pg.92)
mesmo na marcha normal (para frente), “a descarga do peso corporal sobre o
membro interrompe rapidamente a estabilidade inicial do joelho. A flexão do joelho
que segue a carga do membro promove, entretanto, uma valiosa absorção de
choque.” Desta forma, entendemos que ao andar de costas o joelho mantem-se
em extensão e, portanto, fica reduzida a estabilidade desta articulação com o
impacto do pé no chão.
2.2 – SOBRE O SISTEMA MOTOR
Para entender a marcha consideramos importante fazer uma revisão do
aparato neuromuscular envolvido no movimento. Movimentar não significa utilizarse
apenas de músculos. É necessário um complexo processo de programações,
comandos e controles que envolvem não somente as fibras musculares, mas
antes disto, a participação de diversas regiões cerebrais. Após a revisão mais
geral veremos em maiores detalhes os componentes cerebrais responsáveis pela
mudança de padrão cerebral relacionada com o EAC.

LENT (2001) classifica como sendo quatro os elementos que operam o
sistema motor. São eles: os efetuadores, os ordenadores, os controladores e os
planejadores.
Os efetuadores são os elementos que realizam o movimento. São
formados por células musculares, cujo interior possui as proteínas com suas
propriedades de auto-realizarem contrações ou alongamentos.
Os ordenadores de movimento são os que mandam o comando para os
músculos. São os motoneurônios da medula e o tronco encefálico. Cada
motoneurônio pode inervar diferentes células musculares de um mesmo músculo,
mas cada célula muscular só pode ser inervado por um único motoneurônio. A
unidade de comando do sistema motor é o conjunto do motoneurônio com suas
células musculares e é chamada de unidade motora.
Para que os ordenadores funcionem bem precisam das informações vindas
dos efetuadores. Os responsáveis para isto são os órgãos de Golgi (situados nos
tendões) e os fusos musculares (localizados dentro das fibras musculares). O
comprimento e o grau de tensão aplicada nos músculos são oriundos das
informações dadas por estes receptores.
Os controladores agem para garantir o comando correto e o movimento
adequado. No sistema motor este comando é exercido principalmente pelos
núcleos da Base (ou gânglios basais) e pelo cerebelo. Mantêm a comunicação,

através do tálamo, com os ordenadores no córtex cerebral. Também recebem
informações vindas dos receptores sensoriais e aferentes.
São denominados planejadores as estruturas cuja função é enviar
programações em uma seqüência ordenada e detalhada de instruções, cujo
destino final é o músculo. Este planejamento motor é exercido por regiões
específicas do córtex cerebral.
Os movimentos mais simples são os reflexos, operados por circuitos de
neurônios (os arco-reflexos) contidos na medula ou tronco encefálico.
Representam a forma mais elementar de comando motor coordenado.
2.2.1 – REGIÕES NEURAIS RELACIONADAS COM O ANDAR PARA
FRENTE E COM O EAC
A seguir veremos em detalhes alguns dos componentes cerebrais ou da
medula espinhal responsáveis pela mudança de padrão cerebral e que se
relaciona com o EAC.

2.2.1.1 – PRINCIPIO DA INERVAÇÃO RECÍPROCA
Quando uma mesma informação sensitiva é utilizada tanto para ativar os
motoneurônios dos músculos quadríceps da coxa, quanto para inibir os
motoneurônios que comandam os músculos antagonistas (neste exemplo os
músculos isquiostibiais), a isto chamamos de “principio de inervação recíproca”.
Este é um principio geral que se aplica a todos os movimentos reflexos. (LENT:
2001)
No caso do exemplo citado, o estiramento dos músculos quadríceps provoca
também o estiramento dos fusos musculares. Este é um típico exemplo de reflexo
miotático, cuja principal característica é a “contração de um músculo em resposta
ao seu próprio estiramento”.
Os fusos levam informações sobre a extensão dos músculos esqueléticos. No
interior de um fuso existem várias células musculares especializadas
denominadas fibras intrafusais. Essas fibras são contráteis apenas em suas
extremidades, onde elas são supridas por neurônios eferentes. A porção
central dessas fibras, não contrátil, recebe neurônios aferentes que se
espiralizam ao seu redor. A freqüência de impulsos nervosos nos neurônios
aferentes aumenta em resposta a uma mudança no estiramento da região
central das fibras intrafusais e diminui quando essas regiões são contraídas. O
fuso está orientado paralelamente às fibras do músculo de tal maneira que

estiramento do músculo estica o fuso (e as fibras intrafusais), e contração do
músculo contrai o fuso. (SPENCER: 1991; PG. 409)
Ao praticar o EAC estará sendo proporcionado ao indivíduo uma nova
organização dos padrões de coordenação da marcha em razão de haver
alternância de estímulos entre os músculos agonistas e antagonistas provocada
com esta prática.
A marcha é resultado de ações conjuntas entre os centros superiores de
comando e o ato reflexo. (Lent: 2001)
2.2.1.2 – CENTROS GERADORES DE PADRÃO
Estudos mais recentes colocam os geradores de padrões centrais (GPC)
também como co-responsáveis pelos ritmos da marcha, além dos reflexos e dos
demais comandos:
…o centro gerador de padrões rítmicos – que gera os comandos locomotores e
os comunica aos motoneurônios executores…acredita-se que movimentos
repetitivos como a respiração e o ato de coçar são gerados através da
coordenação de vários pequenos centros geradores de padrões, e não mais
pela pura coordenação de reflexos”. (HERCULANO-HOUZEL, pg.370 e 371 in
LENT, 2001).

Os GPC são circuitos neuronais que atuam na própria medula espinhal e
são responsáveis por movimentos rítmicos e esteriotipados. Participam de
movimentos como a locomoção, a respiração, a mastigação, o ato de arranhar,
entre outros.
COHEM (2001) também cita os GPC como componentes importantes da
prática mecânica do deambular:
Evidências atuais sugerem que circuitos neurais são ativados, sem necessitar
utilizar os comandos superiores para a realização de determinado movimento.
Para isso, utiliza-se dos mecanismos geradores de padrão central (GPC), que
são capazes de criar padrões de atividades rítmicas coordenadas pelos
músculos agonistas e antagonistas para um determinado movimento, [como a
marcha, aqui em estudo] (COHEN, 2001, pg. 232).
Novamente vemos a relevância do uso da musculatura antagonista à marcha
para frente no EAC. No ato de se locomover haverá sempre uma ação agonista
para causar o movimento e o antagonista na sua desaceleração (2000). Desta
ação alternada entre um músculo que ora irá atuar como acelerador ou na
alternância do movimento como um desacelerador haverá assim equilíbrio no
tônus desta musculatura, que estará alongada ou encurtada.

2.2.1.3 – MODULAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DAS AÇÕES MOTORAS
QUE PODEM INFLUENCIAR O ANDAR PARA FRENTE E O EAC
Os comandos motores gerados para produzir movimentos nos músculos
esqueléticos têm um único destino final: os motoneurônios. E estes são instruídos
por receptores localizados nos próprios músculos ou em outros tecidos, o que
constituí os arcos-reflexos, como visto anteriormente. Entretanto, este mesmo
movimento requer um planejamento, que estará a cargo do sistema nervoso
central, mais especificamente no córtex cerebral.
Conclui-se que os movimentos voluntários são comandados pelo córtex
através da ativação simultânea de uma certa população de neurônios motores
que comandam os músculos envolvidos em cada movimento. Dessa ação
coordenada e cooperativa é que são definidos os parâmetros do
movimento. (LENT:2001, pg.401)
O planejamento motor tem uma via “exterior” que se baseia na experiência
sensorial não aprendida (somestésica, visual, proprioceptiva), e uma via “interior”
que repousa sobre o aprendizado, a memória, por aquilo que é movimento natural
e costumeiro. E no caso do córtex motor, a região pré-motora (PM) seria a região
de planejamento exterior, ou seja, aquele com base nos dados fornecidos a cada
momento pelos sistemas sensoriais, enquanto a área motora suplementar (MS)
seria a região de planejamento “interior”, ou seja, que tem base nos dados
armazenados na memória.

Enquanto M1[área motora primaria] é uma estrutura ordenadora, responsável
pelo comando motor superior, MS e PM são estruturas planejadoras, de onde
sairá o programa de comandos que M1 enviará às estruturas sub-corticais
pelas vias descendentes, e que finalmente chegará às estruturas executoras,
os músculos. (LENT:2001, pg. 403)
Desta forma, entendemos que ao andar para frente e ao andar para trás as
áreas acionadas no cérebro para proporcionar estes dois tipos de locomoção
diferem entre si. Andar de costas significa acionar primariamente à área PM e
andar para frente, por ser um movimento já aprendido e interiorizado, a área MS.
Andar para frente em superfícies irregulares, ou por outros locais que requer mais
atenção ao dar a passada, também estará sendo acionada a área PM.
Pela complexidade e precisão dos movimentos que produzimos, além do
planejamento, existe um sofisticado sistema de controle que verifica a cada
instante a harmonia dos movimentos. São dois agrupamentos neurais
encarregados nesta função: o cerebelo e os núcleos da base. Ambos são
estruturas controladoras que não participam diretamente do comando motor, mas
da preparação para o movimento. Embora tanto os núcleos da base quanto o
cerebelo apresentem conexões com quase todas as regiões motoras eles não
possuem acesso direto com os motoneurônios. É através de uma outra região,
localizada na parte central do cérebro e entre os dois hemisférios, denominada
tálamo que se recebe e devolve para as diferentes regiões do córtex motor os

estímulos neurais. É a partir do córtex motor que se dará o comando final para ser
executado os movimentos, através das vias descendentes.
2.2.1.4 – O PAPEL DOS NÚCLEOS DAS BASES NO EAC
Os núcleos da base desempenham um importante papel no EAC, pois entre
outras funções, atuam para comparar os comandos motores do córtex com os
estímulos proprioceptivos.
Os gânglios basais estão envolvidos nos aspectos cognitivos do movimento
e na função límbica. Seu papel no controle motor provavelmente é programar
o início de movimentos gerados internamente (mas não disparados
sensorialmente) e executar estratégias motoras complexas. Eles também
podem estar envolvidos na integração sensório-motora e no controle
sensorial… Subsequentemente, eles avaliam os dados sensoriais para
determinar quais estímulos são relevantes. (COHEN:2001, pg.260)
Desta forma, entendemos que os núcleos da base proporcionam, através de
seus comandos inibidores de ação, percepção de relaxamento aos músculos
antagonistas quando estes deixam de ser agonistas, na alternância entre o andar
para frente e andar para trás.

2.2.1.5 – O PAPEL DO CEREBELO NO EAC
Segundo COHEN (2001), dentre outras funções, o cerebelo regula o
controle postural e o movimento coordenado e orienta posturas e movimentos dos
olhos, da cabeça, do corpo e dos membros. Além disso, tem um papel no
aprendizado de habilidades motoras.
Também armazena traços de memória motora para auxiliar no aprendizado
de novos movimentos. Esta última teoria originou-se a partir de estudos da
adaptação do reflexo vestíbulo-ocular. (COHEN:2001)
A partir de experiências realizadas com macacos (LENT: 2001), percebeuse,
através de observações nos neurônios dos núcleos fastigais (localizados no
cerebelo), que mesmo estes animais em repouso produzem disparo tônico de
freqüência média. Quando iniciam uma locomoção e ajustam suas posturas há
aumento desta atividade neural. Por outro lado, os neurônios dos núcleos
interpostos modulam sua freqüência de disparo toda vez que um membro muda
de posição, especialmente quando ocorre co-contração de agonistas e
antagonistas, caso que ocorre quando se anda de costas. Finalmente, o estudo da
atividade dos neurônios dos núcleos denteados mostrou que eles disparam antes
dos movimentos complexos, especialmente aqueles associados a estímulos
auditivos e visuais (movimentos não corretivos, isto é, voluntários, espontâneos),
neste caso este disparo ocorre quando andamos para frente.

Comportamentos motores novos exigem bastante inibição recíproca (cocontração)
dos grupos musculares agonistas e antagonistas; esse padrão
confere uma maior estabilidade às partes móveis. Quando um movimento é
realizado por indivíduos normais, os agonistas gradualmente contraem com
mais força e os antagonistas com menos força, resultando em movimentos
mais suaves e eficazes. O cerebelo pode controlar essa coordenação pela
recomposição da co-ativação dos neurônios motores alfa e gama dos grupos
musculares oponentes para ajustar o tempo e a amplitude das co-contrações
musculares. Pacientes com lesões cerebelares que tentam aprender uma nova
tarefa mantêm o padrão de co-contração forte. O cerebelo lesado não
consegue ajustar as atividades relativas dos agonistas e dos antagonistas e
essa contribuição particular ao aprendizado motor é perdida. (COHEN: 2001,
pgs. 268 e 269)
Ao se praticar o EAC, estímulos novos são levados ao córtex cerebral,
modificados e planejados pelo cerebelo para depois retornarem pelas vias
descendentes de comando motor com o intuito de refinar e equilibrar os
movimentos e a postura da marcha, tanto para frente quanto para trás.
Pode-se concluir, assim, que as informações de saída do vestíbulo-cerebelo e
do espinocerebelo [trajetos de comandos descendentes] controlam a ação
motora do sistema descendente medial, seja na manutenção do equilíbrio, seja
nos ajustes do tônus muscular provocados por mudanças de posição da
cabeça e do corpo. (LENT: 2001, pg. 409)

Quando se anda para frente, por ser um movimento corriqueiro e
automático, não há planejamento consciente. Alguns vícios de marcha errada,
uma pisada desequilibrada e compensações de músculos desnecessários podem
ser corrigidos a partir do acesso à memória motora localizada no cerebelo, e dos
ajustes feitos por ele, quando novos estímulos de andar (e de costas) são
praticados.
2.3 – A BIOMECÂNICA DA MARCHA
Marcha normal, segundo GROSS, FETTO e ROSEN (2000) é deslocar o
corpo para frente com eficiência. Eficiência neste caso é dito quando conseguimos
locomover o corpo com um mínimo de gasto energético. Quando se utiliza acima
deste mínimo ela é considerada anormal.
Durante a marcha normal, o centro de gravidade, localizado entre as
vértebras L4 e L5, descreve uma curva de amplitude mínima nos eixos verticais e
horizontais. O centro de gravidade também se refere ao ponto onde é concentrado
o peso corpóreo de um indivíduo.
Um aumento no deslocamento do centro da gravidade do corpo a partir deste
rumo requer um gasto energético aumentado, criando assim uma demanda

metabólica aumentada. O resultado é a eficiência diminuída na locomoção e o
aumento da fadiga. (GROSS, FETTO e ROSEN: 2000, pg. 430)
É claro que os parâmetros adotados acima se referem a uma marcha típica,
ou seja àquela em que o sujeito anda sob uma superfície plana e sem obstáculos.
Quando andamos em superfícies irregulares ou escalamos uma montanha
íngreme certamente a marcha será um pouco canhestra ou desajeitada. A marcha
de um indivíduo também pode sofrer alterações por processos patológicos ou
sofrer modificações a partir de uma determinada faixa etária.
A marcha é ainda afetada por alguns mecanismos corporais, como o balanço
do tronco, o balanço dos braços e o movimento da cabeça, e também é
dependente de vários reflexos – por exemplo, postural, labiríntico e de
endireitamento.(BARROS FILHO e LECH: 2001, pg. 83)
2.3.1 – FASES DE UMA MARCHA NORMAL
Um ciclo de marcha completa é o período em que o osso calcâneo toca o
chão até o próximo impacto deste mesmo osso calcâneo (do mesmo membro). A
esta distância compreende-se o comprimento da passada.
O ciclo normal da marcha se dá em duas fases: Fase de Apoio e Fase de
Oscilação.

2.3.1.1 – FASE DE APOIO.
É quando o pé entra em contato com o solo e o membro inferior está
apoiando todo ou parte do peso do corpo. Também chamada de fase de posição
ou fase de acomodação de posição. Nesta fase há as seguintes ocorrências:
1. Apoio do calcanhar;
2. Aplainamento do pé;
3. Acomodação intermediária;
4. Impulsão do calcanhar;
5. Impulsão dos artelhos.
2.3.1.2 – FASE DE OSCILAÇÃO.
É quando o pé não está tocando o solo, e o peso do corpo está colocado no
membro oposto.
1. Oscilação inicial;
2. Oscilação intermediária
3. Oscilação terminal.
31
2.3.1.3 – Ocorrências que irão determinar o resultado de uma boa
marcha:
1. Inclinação pélvica;
2. Rotação pélvica;
3. Flexão do joelho;
4. Flexão plantar (na fase de posição inicial);
5. Flexão plantar (na fase de posição tardia)
6. Posicionamento do pé e valgo normal do joelho.
2.3.2 – AÇÕES MUSCULARES DURANTE A MARCHA
O trabalho muscular que é realizado durante uma marcha provoca algumas
ocorrências com os MMII, que aqui chamamos: começo, aceleração e
desaceleração. Esta ação muscular se dá para :
– proporcionar força motora;
– desacelerar um segmento resistindo às forças passivas que o movem;
– atuar como estabilizadores.
Os músculos irão funcionar desempenhando três tipos de contrações:
concêntrica, excêntrica e isométrica.

Há ocorrência de força motora com as contrações concêntricas, ou seja,
há diminuição entre a distância da origem e da inserção do músculo.
Na contração excêntrica o músculo se alonga. A distância entre a origem
e a inserção aumenta e, desta forma, desacelera um segmento em movimento.
A contração isométrica, sem alteração na distância entre a origem e a
inserção, atua como estabilizador no movimento da marcha.
2.3.3 – ESTUDO COMPARATIVO DA MUSCULATURA UTILIZADA
NA MARCHA PARA FRENTE E NO ANDAR DE COSTAS
A organização que apresentamos adiante considera o ciclo da marcha na
fase de apoio e na de balanço, com a representação específica de cada músculo.
Na classificação do andar para frente utilizamos dados apresentados através de
interpretação de gráfico elaborado por BARROS FILHO e LECH (2001). A análise
comparativa feita com os músculos utilizados ao andar para trás é apresentada
por nós a partir de análise visual do movimento, seguindo os parâmetros
cinesiológicos baseado em CALAIS-GERMAN (1991) e também de HALL (2000).
Para o entendimento claro do momento da passada representamos o porcentual
estimado da participação de cada músculo, considerando a passada completa, no
ato de andar para frente. Os músculos estão organizados de acordo com a função

que representa cada grupo muscular na marcha para frente: absorção de choque,
equilíbrio do tronco, desprendimento, aceleração, dorsiflexão do pé e
desaceleração.
Vale lembrar que na contração excêntrica o músculo alonga e na contração
concêntrica o músculo encurta. Pode-se assim dizer, que estes tipos de ações
estão relacionados com as funções agonista e antagonista do músculo.
Quando um músculo se alonga ao estar sendo estimulado para
desenvolver tensão, a contração é excêntrica e a direção do movimento
articular é oposta àquela do torque muscular efetivo. (HALL: 2000; pg.118)
2.3.3.1 – ABSORÇÃO DE CHOQUE
m. Vasto intermédio:
Marcha normal: Contração excêntrica no final da fase de apoio; no início e
no final da fase de balanço e nos 18 % iniciais da passada (começo da fase de
apoio).
Marcha para trás: Contração excêntrica …

m. Vasto lateral
Marcha normal: Contração excêntrica no final da fase de apoio e nos 18 %
iniciais da passada (começo da fase de apoio).
Marcha para trás: Contração excêntrica…
m. Vasto medial
Marcha normal: Contração excêntrica no final da fase de apoio e nos 15 %
iniciais da passada (começo da fase de apoio).
Marcha para trás: Contração excêntrica…
m. Reto femoral
Marcha normal: Contração excêntrica nos 4 % finais da fase de apoio; no
início e no final da fase de balanço e nos 14 % iniciais da passada (começo da
fase de apoio).
Marcha para trás: Contração excêntrica …

2.3.3.2 – EQUILÍBRIO DO TRONCO
m. Glúteo máximo
Marcha normal: Contração excêntrica no final da fase de balanço e nos 16
% iniciais da passada (começo da fase de apoio).
Marcha para trás: Contração concêntrica …
m. Glúteo médio
Marcha normal: Contração excêntrica no final da fase de balanço e nos 43
% iniciais da passada (começo da fase de apoio).
Marcha para trás: Contração concêntrica …
m. Glúteo mínimo
Marcha normal: Contração excêntrica nos 42 % iniciais da passada
(começo da fase de apoio).
Marcha para trás: Contração concêntrica …

Tensor da fáscia látea
Marcha normal: Contração excêntrica nos 40 % iniciais da passada
(começo da fase de apoio) e contração concêntrica no início da fase de
balanço.
Marcha para trás: idem acima
m. Eretor da coluna
Marcha normal: Contração concêntrica no final e no início da fase de
apoio.
Marcha para trás: Contração excêntrica …
m. Reto abdominal
Marcha normal: Sem participação.
Marcha para trás: Contração concêntrica no final e no início da fase de
apoio.

2.3.3.3 – DESPRENDIMENTO
m. Flexor longo dos dedos
Marcha normal: Contração excêntrica à partir dos 13 % do início da
passada até o meio da fase de apoio e do meio da fase de apoio até uns 50 %
da fase de apoio.
Marcha para trás: Contração concêntrica no final da fase de apoio e no
início da fase de balanço.
m. Flexor longo do hálux
Marcha normal: Contração excêntrica no meio da fase de apoio e do meio
da fase de apoio até uns 48 % da fase de apoio.
Marcha para trás: Contração concêntrica no final da fase de apoio e no
início da fase de balanço.
m. Gastrocnêmio
Marcha normal: Contração excêntrica à partir dos 13 % iniciais da passada
até o meio da fase de apoio e do meio da fase de apoio até uns 45 % da fase
de apoio.
Marcha para trás: Contração concêntrica no final da fase de apoio e no
início da fase de balanço e excêntrica no final da fase de balanço.

m. Fibular curto
Marcha normal: Contração excêntrica à partir dos 20 % iniciais da passada
até o meio da fase de apoio e do meio da fase de apoio até uns 50 % da fase
de apoio.
Marcha para trás: Contração concêntrica no início e no final da fase de
apoio e no início da fase de balanço.
m. Fibular longo
Marcha normal: Contração excêntrica à partir dos 5 % iniciais da passada
até o meio da fase de apoio e do meio da fase de apoio até uns 45 % da fase
de apoio.
Marcha para trás: Contração concêntrica no final da fase de apoio e no
início da fase de balanço e excêntrica no final da fase de balanço.
m. Sóleo
Marcha normal: Contração excêntrica à partir dos 13 % iniciais da passada
até o meio da fase de apoio e do meio da fase de apoio até uns 50 % da fase
de apoio.
Marcha para trás: Contração concêntrica no início e no final da fase de
apoio e no início da fase de balanço e excêntrica no meio e no final da fase de
balanço.

m. Tibial posterior
Marcha normal: Contração excêntrica à partir dos 13 % iniciais da passada
até o meio da fase de apoio e do meio da fase de apoio até uns 50 % da fase
de apoio.
Marcha para trás: Contração concêntrica no início e no final da fase de
apoio e no final da fase de balanço e excêntrica no meio da fase de balanço.
2.3.3.4 – FASE DE ACELERAÇÃO
m. Adutor longo
Marcha normal: Contração concêntrica no final da fase de apoio.
Marcha para trás: Contração concêntrica no final da fase de apoio.
m. Adutor magno
Marcha normal: Contração concêntrica no final da fase de apoio e no início
da fase de balanço.
Marcha para trás: Contração concêntrica no final da fase de apoio e
excêntrica na fase de balanço.

m. Ilíaco (iliopsoas)
Marcha normal: Contração concêntrica no final da fase de apoio e no início
da fase de balanço.
Marcha para trás: Contração excêntrica na fase de apoio e concêntrica no
início da fase de balanço.
m. Sartório
Marcha normal: Contração concêntrica no início da fase de balanço.
Marcha para trás: Contração concêntrica na fase de apoio e concêntrica na
fase de balanço
2.3.3.5 – DORSIFLEXÃO DO PÉ
m. Extensor longo dos dedos
Marcha normal: Contração excêntrica nos 10 % iniciais da fase de apoio e
concêntrico no final da fase de apoio e no início da fase de balanço.
Marcha para trás: Contração concêntrica no início da fase de apoio e no final
da fase de balanço e excêntrica no início da fase de balanço

m. Extensor longo do hálux
Marcha normal: Contração excêntrica nos 10 % iniciais da fase de apoio e
concêntrico no final da fase de apoio e no início da fase de balanço.
Marcha para trás: Contração concêntrica no início da fase de apoio e no final
da fase de balanço e excêntrica no início da fase de balanço
m. Tibial anterior
Marcha normal: Contração excêntrica nos 10 % iniciais da fase de apoio e
concêntrico no final da fase de apoio e no início e no final da fase de balanço.
Marcha para trás: Contração concêntrica no início da fase de apoio e no final
da fase de balanço e excêntrica no início da fase de balanço.
2.3.3.6 – FASE DE DESACELERAÇÃO
m. Grácil
Marcha normal: Contração excêntrica nos 7 % iniciais da fase de apoio e
na metade final da fase de balanço. Concêntrico no final da fase de apoio.
Marcha para trás: Contração excêntrica na fase de apoio e concêntrica no
início da fase de balanço.

m. Semimembranoso
Marcha normal: Contração excêntrica no final da fase de balanço.
Marcha para trás: Contração concêntrica no inicio da fase de apoio e no
final da fase de balanço e excêntrica no início da fase de balanço.
m. Semitendinoso
Marcha normal: Contração excêntrica no final da fase de balanço e no
inicio da fase de apoio.
Marcha para trás: Contração concêntrica no inicio da fase de apoio e no
final da fase de balanço e excêntrica no início da fase de balanço.
m. Bíceps femoral (cabeça longa)
Marcha normal: Contração excêntrica na metade final da fase de balanço e
no início da fase de apoio.
Marcha para trás: Contração concêntrica no inicio da fase de apoio e no
final da fase de balanço e excêntrica no início da fase de balanço.
m. Bíceps femoral (cabeça curta)
Marcha normal: Contração excêntrica durante toda fase de balanço e no
início da fase de apoio .
Marcha para trás: Contração concêntrica…

3 – DISCUSSÃO
Quando há alterações na marcha devido a problemas motores, sejam eles
nos próprios MMII ou no corpo como um todo, esta marcha “errada” poderá ser
automatizada de forma a acarretar outros prejuízos corporais (compensações),
uma lombalgia, por exemplo. Neste caso, andar de costas pode ser uma forma
para reprogramar e, consequentemente solucionar a própria lombalgia. No caso,
há reprogramação tanto nos elementos que operam o sistema motor (pelas vias
neurais) quanto na própria marcha (na mecânica desta). Desta forma, esta pratica
não usual de locomoção pode ser uma boa maneira para recrutar novos
neurônios, e assim, ativar novas regiões cerebrais, além de estimular a
participação inovada de músculos.
Os músculos utilizados para a marcha reversiva são praticamente os
mesmos utilizados quando nos movemos para frente (com exceção de algumas
substituições), entretanto a mudança de comprimento do músculo quase sempre é
alterada, de excêntrica para concêntrica, ou vice-versa. Ou seja, os músculos são
os mesmos, mas a ação deles é que se modifica, ora fortalece uma ora outra.
Abaixo descrevemos alguns dos benefícios desta forma diferente de se
locomover.

3.1 – BENEFÍCIOS DO EXERCÍCIO DE ANDAR DE COSTAS
Aspectos relevantes observados com o EAC:
3.1.1 – CORRIGIR O QUE ESTÁ RUIM NA MARCHA
Ao executar o EAC faz-se necessário reformular e planejar o ato de andar.
Quando se pratica um ato novo, diferente, ou não mecânico, está se estimulando
o recrutamento de conexões sinápticas a partir do córtex motor, promovendo o
aprendizado de uma nova forma de se mover. Assim, andar de costas significa
ativar novas áreas do cérebro e do aparato motor.
Utilizando-se das mesmas fases do ato de andar para frente o indivíduo que
pratica o EAC estará, ao se movimentar de forma oposta, experimentando e,
reaprendendo novos atos motores com o intuito de aperfeiçoar e corrigir as
imperfeições de sua locomoção.
3.1.2 – ECONOMIA DE ENERGIA
Uma marcha alterada, defeituosa, leva a um desequilíbrio e a
compensações que acarretam maior esforço, ou seja, mais desgaste. Corrigir isso
é harmonizar, gastar menos energia. Uma vez que a marcha é reparada um

menor gasto de energia ao movimentar se fará presente. Indivíduos com uma
marcha normal talvez não tivessem tanta necessidade em se preocupar com este
assunto, mas quando a pessoa necessita de um apoio extra para sua locomoção a
economia de gasto energético fará muita diferença.
A economia se dá da seguinte forma: criatividade, flexibilidade, criação de
novas sinapses e um menor gasto de energia. A isto podemos denominar
mudança de padrão, como Schneider gosta de chamar quando ocorrem
alterações nas ações motoras.
Seguindo o raciocínio acima, podemos dizer que estará havendo, com esta
prática, uma redução da fadiga muscular.
3.1.3 – EQUILIBRIO NO USO DOS MUSCULOS.
Dentre as funções desempenhadas pelos músculos, temos:
– os estabilizadores, que atua para estabilizar uma parte do corpo contra
alguma outra força (HALL:2001)
– os neutralizadores, que desempenha o papel para eliminar uma ação
indesejada produzida por um agonista (HALL:2001)

Ao se utilizar, num mesmo músculo, as funções ora antagonista ora a agonista,
com o andar alternado para frente e para trás, conseqüentemente provocar-se-á
também uma alternância de encurtamento e alongamento deste músculo
exercitado. Isso trará um refinamento tanto neural como da mecânica muscular,
facilitando ou até não necessitando assim da participação dos músculos
neutralizadores e estabilizadores nestes movimentos.
3.1.4 – AMPLIAÇÃO DA CONSCIÊNCIA CINESTÉSICA.
O ato de se movimentar para frente e depois para trás por si estimula a
percepção consciente dos movimentos. Por não ser um exercício habitual,
prestarão mais atenção neste ato de mover-se e conseqüentemente no seu corpo.
Assim, o praticante do EAC também passará a prestar mais atenção nas
necessidades deste.
3.1.5 – RELAXAMENTO DA MUSCULATURA POSTERIOR DAS
COSTAS.
Após alguns minutos da prática do EAC escutamos com alguma frequência
relatos de sensação de relaxamento na musculatura das costas, principalmente na
região lombar. Este é um assunto que merece ser visto posteriormente com maior

profundidade, uma vez que não enfocamos neste trabalho as relações do tronco
com os movimentos dos MMII. Fomos buscar em PINTO e SOARES (2003),
quando estas autoras traçam um perfil comparando alguns métodos corporais com
o método self-healing. Ali elas citam o método de correção postural de Mézières.
Mézières criou, em meados do século passado, um método de correção postural
baseado nos seguintes princípios: “1) toda parte posterior do corpo trabalha
como se fosse um só músculo e apresenta-se encurtada; 2) estes músculos são
muito fortes e muito curtos; todas as ações localizadas, seja alongamento seja
encurtamento provocam instantaneamente, o encurtamento do conjunto da
musculatura; 4) toda a oposição a este encurtamento provoca,
instantaneamente, flexões laterais e rotações da coluna e dos membros. As
articulações do corpo tendem a rotacionar internamente… (Mézières, 1984,
p.15)” in PINTO e SOARES: 2003, pg.69)
Seguindo-se o princípio das cadeias musculares, proposto por Mézières, ao
relaxar a musculatura posterior do quadril (e isto se dará com as alternâncias entre
andar para frente e para trás) terá como conseqüência o relaxamento dos
músculos da região lombar.

3.1.6 – REDUÇÃO DA ESPASTICIDADE
Quando há aumento da resistência ao movimento passivo de um membro
proporcional à velocidade do movimento e pelo aumento dos reflexos tendíneos
profundos diz-se que a pessoa está com espasticidade. Não entraremos no mérito
das particularidades da espasticidade, mas pelo que se segue na citação a seguir,
pode-se fazer uso desta prática para minimizar os efeitos desta em alguns casos.
Não há dúvida de que o mecanismo fundamental da espasticidade é a
liberação dos reflexos miotáticos (ou de estiramento), normalmente mantidos
sob controle superior, a fim de que possam participar da mobilização normal
dos músculos para emissão de comportamentos. (LEVY e OLIVEIRA: 2003,
pg. 141)
Conforme vimos anteriormente, o EAC pode regular os reflexos de
estiramento (miotáticos) pela alternância do uso das musculaturas agonistas e
antagonistas que são revezadas quando se anda alternadamente para frente e
depois para trás. Sendo assim, pessoas com espasticidade nos MMII poderão se
beneficiar do EAC.

4. CONCLUSÕES
O aparato que regula nosso corpo necessita de um planejamento
constante. Ao realizar movimentos novos a área pré-motora do cérebro é ativada,
juntamente com o cerebelo, o córtex parietal e o córtex pré-frontal. Conforme
aprendemos novos movimentos novas áreas cerebral são acionadas: a área
motora suplementar, juntamente com o hipocampo e áreas occipitais e temporais.
Desta forma, conclui-se que o planejamento motor se dá por duas vias.
Uma se baseia nas experiências sensoriais não aprendidas, mas nas
vivências e ações que são mandadas ao cérebro no momento em que o indíviduo
se move, que vê e que percebe. As informações chegam ao cérebro através da
propriocepção, da visão e somesticamente. Para isso, Utiliza-se do córtex prémotor,
com os dados fornecidos a cada momento pelos sistemas sensoriais.
Quando andamos de costas estamos mandando novas informações para o
cérebro. Em outras palavras, o exercício estará surpreendendo o cérebro com
estas novas informações.
Uma outra via se dá através do aprendizado e da memória. Os movimentos
aprendidos são depois armazenados e a área motora suplementar se encarrega
disto. Após a repetição da prática de se andar de costas novas informações são
assimiladas e armazenadas no cérebro.

Acreditamos que o EAC cumpre estas duas tarefas descritas acima e a
surpresa que provoca no cérebro modifica o modo automatizado do indivíduo se
mover. Quando muda o padrão de se movimentar ele (o cérebro) passa a usar o
que foi mudança provocada. E quais são as mudanças provocadas? Relaxamento
muscular, redução da fadiga muscular, melhor percepção do corpo, diminuição do
atrito articular, redução de dores nas costas e um melhor conforto físico.
Quando avaliamos a musculatura utilizada para se andar de costas
podemos notar quais são os músculos que podem se fortalecer, encurtar e relaxar.
Entretanto, consideramos necessário aprofundar este estudo, utilizando-se dos
recursos de laboratórios de marcha para avaliar qualitativamente as partes do
corpo que estão sendo trabalhadas com este exercício. Também achamos
importante fazer um estudo de como o EAC atuaria nos diferentes quadros de
marchas patológicas
Este foi um estudo de um dos exercícios proposto por Meir Schneider com
o seu Método Self-Healing. Esperamos que novos estudos possam ser feitos a
partir da pratica dos atuais e novos terapeutas deste trabalho.

5. BIBLIOGRAFIA
BARROS FILHO, Tarcísio E. P. de; LECH, Osvandré. Exame físico em
ortopedia. São Paulo: Sarvier, 2001.
BIENFAIT, Marcel. As bases da fisiologia da terapia manual. São Paulo:
Summus, 2000.
CALAIS GERMAIN, Blandine. Anatomia para o movimento, volume 1:
Introdução à Análise das Técnicas Corporais. São Paulo: Manole, 1991.
COHEN, Helen. Neurociência para Fisioterapeutas (incluindo correlações
clínicas). São Paulo: Manole, 2001.
DVORÁK, Jirí; DVORÁK, Václav. “Checklists”- Medicina Manual: O Sistema
Musculoesquelético, Técnicas de Mobilização e Manipulação. São Paulo:
Santos, 1993.
FOX, Edward L.; MATHEWS, Donald K. Bases fisiológicas da educação física
e dos desportos. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.
GROSS, Jeffrey; FETTO, Joseph; ROSEN, Elaine. Exame Musculoesquelético.
Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2001.

HALL, Susan J. Biomecânica Básica. Rio de Janeiro: Guanabara, 2000.
LENT, Roberto. Cem Bilhões de Neurônios: conceitos fundamentais de
neurociência. Rio de Janeiro: Atheneu, 2001.
LEVY, José Antônio; OLIVEIRA, Acary Souza Bulle. Reabilitação em Doenças
Neurológicas- Guia Terapêutico Prático. São Paulo: Atheneu, 2003.
PERRY, Jacquelin. Análise de Marcha, v. 1: marcha normal. Barueri, SP:
Manole, 2005.
PINTO, Jussara Mesquita; SOARES, Lea Beatriz Teixeira. Método Meir
Schneider de autocura- Self-Healing. São Carlos S/P- Hucitec, 2002.
PINTO, J. M. – Aprender uma nova forma de viver o corpo: o
desenvolvimento da consciência corporal e o ensino no método Self-
Healing. São Carlos: UFSCar, 1998. (Tese de doutorado)
SCHNEIDER, Meir. Movimento para a autocura: self-healing: um recurso
essencial para a saúde. São Paulo- Cultrix, 2005.
SCHNEIDER, Meir; . O Manual de Autocura: método self-healing. – São Paulo:
Triom, 1998.

SCHNEIDER, Meir. O Manual de Autocura, 2.ª parte: patologias específicas:
método self-healing. – São Paulo: Triom, 1998.
SCHNEIDER, Meir. Entrevista. São Paulo, 2.005
SOARES, L.B.T. – Eficácia do Método Meir Schneider de autocuidado em
pessoas com distrofias musculares progressivas: ensaio clínico fase II.
Campinas: UNICAMP, 1999 (Tese de doutorado)
SPENCE, Alexander P. – Anatomia Humana Básica. – São Paulo: Manole, 1991.

6. ANEXOS
ENTREVISTA COM MEIR SCHNEIDER POR WILSON GARVES EM 01.07.05.
P.: Quando você pede para os clientes de SH andarem de
costas você está pensando somente na mudança de padrão
cerebral e do comando dos movimentos ou também sob um
ponto de vista biomecânico?
R.: É uma pergunta muito interessante. Quando você anda para trás muitas coisas
acontecem. Primeiro que você faz alguma coisa com o cérebro que é diferente do
que você estava fazendo antes, você não usa os olhos, o que em 75% dos casos
é basicamente como as pessoas controla o mundo. Então esta primeira parte está
clara, com tudo existe um ponto biomecânico que você faz e que não fazia antes.
Antes de mais nada você distende o tendão de Aquiles e segunda coisa você não
verga o pescoço para frente, o que libera o pescoço. É importante considerar que
quando você estava fazendo o caminhar e andando, você olha para trás, então eu
faço as pessoas girarem a cabeça de um lado para o outro e quando estão indo
para trás tem que girar mais ainda, então é obrigado a fazer um esforço maior e

tarzer a cabeça cada vez mais longe para poder enxergar. Inclusive tenho

pacientes que fazem este exercício na água e faço eles andarem na água de
costas com a cabeça realmente indo o máximo possível para um lado e para o
outro.
P.: De onde você se baseou (ou apreendeu) esta prática?
R.: Da vida. Então eu aprendi com a vida. Em geral as minhas terapias nascem da
falta de outras terapias, quer das minhas e quer das outras. Na medida em que
vou sentindo necessidade vou criando, e o que ensino a outras pessoas é desafiálas
naquilo que elas sabem. Não é uma má expressão dizer eu não sei e ter que
começar tudo de novo.
P.: Quais são os benefícios que se consegue andando de
costas?
R.: De novo a liberação do pescoço. Não é o mais importante exercício para
liberar o pescoço, mas cerca de 15 a 20% das pessoas que fazem o exercício
acham que é o mais importante. Então esse exercício pode não ser o melhor para
sempre, mas de tempos em tempos, por exemplo, ele pode ser durante 6 meses o
exercício mais importante, até que aparece um outro que se torna mais

importante, um outro que é mais importante ainda. Também ele cria confiança, ele
cresce na confiança. Ele é um exercício que também te dá uma nova percepção
da vida, porque a gente está sempre olhando para frente e tendo a percepção com
os olhos, mas caminhando para trás vai criar uma base cinestésica muito mais
sólida, porque você percebe o mundo de uma forma diferente. Cria uma nova
sensibilidade para o sistema motor e mais a capacidade sensorial para esse
sistema. No sentido motor usa mais os joelhos de uma maneira que não usava
antes porque tem que dobrá-los mais, estica e distende o tendão de Aquiles para
esticar os músculos abdominais e do peito e libera um pouco da atividade do
quadriceps, constrói melhores músculos nas nádegas, então são muitos
benefícios.
P.: Em quais casos (patologias) este exercício é indicado?
R.: Em qualquer caso onde há um bloqueio, um problema de movimento. Eu vou
verificar se isso não é um problema de andar. As vezes é contra indicado, por
exemplo, numa inflamação de joelho, ou um problema sério nos quadris. Por
exemplo, nós assistimos hoje uma consulta que um paciente que teve um
problema de um acidente de motocicleta, eu não sugeri que ele andasse de
costas, porque seria demais para ele. É importante verificar se os tecidos locais
não sejam sobrecarregados com movimento. Ele não sabe dentre 8 bilhões de
habitantes quem não se beneficiaria deste exercício. Em geral para pessoas que

tem problema no caminhar ou que tenham dificuldades em caminhar é um
excelente exercício porque permite uma reavaliação da própria pessoa, da sua
forma de caminhar e da sua forma de se manter em pé. Ajuda pessoas com danos
no cérebro, e pessoas que não tem percepção ou percepção pobre da sua parte
das costas da área posterior.
Na sua opinião, andando de costas:
– ajuda o indivíduo a reaprender a andar de forma correta?
R.: Não é um exercício que ajuda a fazer uma coisa especifica, de fato é errado
olhar para qualquer exercício desta maneira. Quero repetir o que eu disse antes.
Cada exercício é bom só por um determinado período de tempo. É definitivamente
um exercício que pode ajudar a melhorar o caminhar, combinado com outros
exercícios pode ser muito poderoso.
– a equilibrar o uso de um maior número de músculos ?
R.: Absolutamente sim. Por todas as razões que descrevemos anteriormente:
movimentar pescoço, esticar o pescoço, esticar o tendão de Aquiles, a forma
como você dobra o joelho, os músculos das nádegas, o relaxamento das costas.
Você usa realmente músculos que nunca usou antes. A beleza disso, que uma
vez que o cérebro fica consciente deste movimento, ele vai usar estes músculos
para o equilíbrio e para o suporte no andar para frente.
58
– aquisição de uma maior percepção corporal e da
consciência cinestésica?
R.: Se a pessoa tiver preparada para isso, de uma certa forma a resposta é sim e
se for feito no momento exato, no local exato. Tem momentos em que andar de
lado é melhor. Tem momentos em que andar para frente de uma forma correta é
melhor. Há momento em que a gente precisa de alongamento. A preparação para
o exercício é tão importante quanto o próprio exercício, quando ele é feito. Mas no
final de tudo eu diria que sim. De novo, se for no momento certo, na hora certa, no
local certo.
– a conseguir um relaxamento da musculatura posterior das
costas?
R.: Sim, sem duvidas. De novo, se for no momento certo, hora certa e local certo.
– inclusive a reduzir a espasticidade?
R.: Poderia, sem duvidas. Há momentos em que ele faz exatamente isto.
– a regenerar processos inflamatórios nos joelhos?

R.: Depende, às vezes pode até causar inflamações nos joelhos. Se o joelho já
tiver inflamado e for caminhar para trás pode até aumentar a exigência dos deles,
com isso piorar a inflamação. Se for confortável para o corpo andar de costas, ou
quase confortável, então sim, qualquer movimento diferente aumenta o fluxo do
liquido sinovial e diminui a inflamação.